6 de ago de 2014

Resenha - A Luneta Âmbar

SINOPSE
Will é o portador da Faca Sutil. Ele prometera ao pai, no leito de morte, que iria entregar a lâmina terrível ao Lorde Asriel. Está se aproximando uma guerra, a maior guerra de todos os tempos, e a lâmina é a única arma que pode render o inimigo. Um forasteiro num estranho mundo, Will começa sua jornada perigosa. Mas como pode cumprir a promessa, quando Lyra, sua corajosa companheira, está desaparecida?
Terceiro e último livro da Trilogia Fronteiras do Universo. Capa bonita, apresentando o rosto de mais um dimon, duas pessoas e muitas almas penadas correndo por uma ponte de terra (o que condiz com o Mundo dos Mortos citado na história). Muitos não entenderam de quem era o dimon da capa, mas eu acredito que seja uma homenagem ao dimon não existente de Will e cheguei a esta conclusão por causa dessa frase: “Seu dimon, Lyra pensou, teria a forma de uma tigresa, e ela se encolheu diante da fúria que imaginou que o grande animal mostraria” [A Luneta Âmbar].

Comecei a ler o livro com certa desconfiança, pois o primeiro volume foi bom, mas o segundo começou a ter certa queda de qualidade. Torci pra história melhorar, mas não gostei muito do que encontrei por aqui. A escrita de Pullman é ótima e bem desenvolvida, mas neste último volume ele se perdeu em sua narrativa e em sua vontade de denegrir Deus!

O enredo pulou de ficção para uma exibição de opiniões pessoais anticristãs... Nos dois primeiros livros estes elementos estão presentes, mas de maneira sutil e por isso não os citei nas críticas anteriores, mas em Luneta Âmbar está tudo mais escrachado. Nada contra o autor não crer em Deus (todos tem liberdade para acreditarem no que quiserem), mas quando comecei a ler A Bússola de Ouro pensei estar lendo uma trilogia de ficção e fantasia, e não uma crítica grosseira e infundada da Igreja e de Deus... Não vou criticar os ideais ateístas do escritor, pois apesar de ser cristã e dos conceitos dele irem contra os meus, não estou aqui para debater religião e sim o enredo do livro. Por isso – e finalmente – vamos falar da história em si:

Pullman criou personagens demais neste livro, muitos deles nem sequer tinham importância para a história real, o cenário ficou pulando de um pro outro frequentemente e mesmo com a volta de Iorek Byrnison (que eu adoro), achei um saco esse troca-troca... Certas partes foram maçantes demais, fiquei com sono, mal conseguia ler 2 páginas por dia e por isso, levei mais de nove meses pra terminar o livro

Will como sempre foi espetacular, um personagem muito bem construído, cheio de garra e energia para lutar por Lyra. Já a menina, que era uma pequena encrenqueira no primeiro livro e uma mocinha mais madura no segundo, tornou-se uma manteiga derretida em Luneta Âmbar e eu não gostei dessa mudança de personalidade. Lyra teve medo de tudo, chorou e resmungou de receio por tudo, nem sequer parecia àquela garotinha que viajou corajosamente para Svalbard e lutou ao lado de bruxas e ursos de armadura.

Os capítulos passados na Terra dos Mortos foram perfeitos de tão emocionantes! A “traição” que Lyra comete para conseguir partir à terra dos mortos foi deveras empolgante e bem escrita, me senti como se estivesse vendo a cena com meus próprios olhos, mas infelizmente esta foi uma das raras partes que fiquei empolgada em ler o livro, pois nas outras a leitura foi fatigante e eu quase desisti de terminar a trilogia várias e várias vezes.

Os mulefas foram personagens muito inúteis e não fizeram nada que prestasse para a história principal, a doutora Malone foi igualmente inútil ao aparecer várias vezes no princípio do livro, mas só ter papel importante no final. O tal padre assassino também foi outro personagem irrelevante, tinha a missão de matar, mas no fim não fez nada na história e morreu sem ao menos ter "tentado" aniquilar o seu alvo. Deus é apresentado como “vilão” na trilogia (sendo chamado de A Autoridade), mas morreu de inanição e se desfez com uma lufada de ar sem ao menos fazer seu papel de vilão. O anjo Metraton é pintado no começo do livro como um ser temível e poderoso demais para qualquer um, mas foi outro que morreu de forma babaca!

E por que não falar da Luneta Âmbar? A famosa luneta que deu nome ao terceiro livro, mas que diferente da Faca Sutil e da Bússola de Ouro, não teve relevância nenhuma para o enredo e sua utilidade é realmente duvidosa. Os leitores em geral também ficaram bastante em dúvida quanto ao Pó, já que o autor não revela muita coisa sobre ele no ultimo livro e ainda encerra a história sem fechar as lacunas, deixando todas as dúvidas pairando no ar.

Tentei curtir o final e os destinos que Lyra e Will tiveram, mas não consegui, já estava me sentindo tão cansada deste livro que acabei não aproveitando nada. Li a respeito de um outro livro contanto a vida de Lyra, dois anos depois, chamado “O Oxford de Lyra” e também outro chamado "O Livro do Pó", mas a trilogia Fronteiras do Universo não me agradou muito e sinceramente não tenho interesse em ler outra obra desse autor...
Opinião Final: Se você não consegue analisar o enredo fora do quesito religião recomendo que NÃO LEIA este livro. Agora se você conseguir, então leia, mas não espere muita coisa. Tenha paciência com algumas partes e resista ao desejo de abandonar a leitura... Têm pouquíssimas partes emocionantes, o final é fraco, mas pelo menos você vai poder dizer que leu a Trilogia até o fim - assim como eu!
Opinião Final da Trilogia: Encarar a leitura dessa trilogia foi o maior erro que já cometi em questões literárias; o primeiro livro foi bonzinho, o segundo razoável, mas este terceiro foi o pecado capital dos livros! Não recomendo em hipótese nenhuma, nem o livro, nem a trilogia...
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