30 de nov de 2014

Resenha - Selvagens

SINOPSE
Ben, Chon e Ophelia são jovens amigos de vinte e poucos anos vivendo o sonho e as loucuras da Califórnia. Juntos, os três fizeram uma pequena fortuna cultivando e vendendo uma variedade especial de maconha, uma droga tão potente que desperta o interesse do Cartel de Baja, no México. Quando Ben e Chon se recusam a abrir mão de seu lucrativo negócio, os integrantes do cartel sequestram O., dando início a uma alucinante montanha-russa de reviravoltas e negociações. E os dois amigos vão arriscar tudo para libertá-la. O resultado é um livro provocante, sexy, sombrio e cativante. Uma história de amor ultra contemporânea de tirar o fôlego.
Livro que deu origem a um filme de mesmo nome. Comprei a edição com a capa do filme, bastante atraente por sinal, achei que deu uma aparência interessante e que realmente cativa a curiosidade com relação ao enredo, ainda mais quando se lê a sinopse...

E por falar em sinopse, vamos começar a crítica com ela... Comprei o livro pela internet e apesar de aprovar imensamente a arte da capa, foi a sinopse que me fez comprar o livro. Pensei: “Uau! Cartel de Baja, tráfico de drogas, sequestros, deve ser show”. Gastei meu precioso e pouco dinheirinho comprando o livro e me decepcionei imensamente!

Fiquei muito frustrada. A sinopse é envolvente, mas eu senti como se o autor tivesse me passado a perna, pois o enredo não cumpriu o que a sinopse prometia “emoção pura, sequestro e uma busca alucinada pelo resgate”. Me senti roubada e me arrependi amargamente de ter gasto dinheiro com essa porcaria de história (livros são tudo, mas tem histórias que não valem nem um pão com ovo).

Meu primeiro desafeto com o livro foi a forma de escrever do autor. A história é repleta de palavrões, mas acabei deixando este detalhe de lado, pois imaginei que seria um linguajar aceitável para o ambiente da história (bandidos, tráfico, drogas e etc). Mas o linguajar chulo, sujo e vulgar do autor, não teve como deixar passar...

Poxa! Eu esperava adrenalina, crime e ação, e quando começo a ler me deparo com cenas e mais cenas de vocabulário vulgar, erótico e com descrições obscenas ainda. Desculpe querido autor, mas se eu quisesse ler sobre pessoas transando, compraria um livro erótico e não um sobre o CARTEL DE BAJA. Está vendo porque fiquei frustrada? Eu realmente senti que o livro não me deu o que a sinopse me prometeu.

E como se não bastasse isso, ainda tem a forma do autor compor suas frases. Na orelha do livro diz que Don Winslow é um ex-detetive particular, e eu completo dizendo que para um escritor ele é um ótimo detetive... Nunca vi frases tão mal feitas e páginas tão mal construídas.

Durante a leitura, não consegui distinguir o que era pensamento do que era narração, pois o autor não separa nada. Numa hora você está lendo em terceira pessoa (narrador) e de repente começa a ler frases em primeira pessoa (pensamento do personagem), não tem sequer parênteses ou aspas para separar uma coisa da outra, fica horrível e confuso de ler. Também tem falas sendo ditas sem que haja travessão, mas pior do que isso (sim, tem coisa pior) são as frases picotadas, que começam numa linha e terminam três linhas depois, pois o autor deve ter tique nervoso e ficou apertando ENTER depois de cada palavra que escreveu. Vou pegar uma frase do livro para entenderem do que estou falando:
“Ben investe dinheiro naquilo que acredita, então...
... a cada dois ou três meses ele volta para Table Rock com disenteria...
                    ... malária e/ou...
                                              ... dor de cotovelo do Terceiro Mundo...
(que Chon conhece bem)
                                             ... e Chon e O. o levam aos melhores médicos do instituto Scripps e o deixam bem até ele encontrar outra causa, quanto então....
Ele surta de novo.”
Eu não ligaria se estas partes picotadas aparecessem apenas uma vez, ou raramente. Porém, encontrei isso o tempo inteiro na leitura, em páginas e mais páginas. Irrita, atrapalha e acaba não servindo para nada, pois não acrescenta no suspense ou na emoção da história.

Muitas resenhas consideraram a forma de escrever do autor como o ponto mais forte do livro, mas eu ouso dizer que foi o maior pecado dele...

Saindo da estrutura de escrita agora, vamos falar um pouco sobre o enredo. Sabe aquele sequestro e conflito incrível do Ben e do Chon com o Cartel de Baja? Pois bem, levou uma eternidade para acontecer no livro... O enredo tem uma apresentação bacana dos personagens, contando sobre suas famílias e personalidades, mas levou quase metade do livro só para esclarecer o funcionamento do Cartel e do tráfico de maconha de Ben & Chon, além de outras babaquices que poderiam ser descartadas. Não é exagero, eu juro! O livro possui 285 páginas e a personagem Ophelia (apelidada de O.) foi sequestrada apenas na página 100, deixando-me com uma centena de páginas de explicações. No início era legal, mas depois ficou realmente enfadonho, pois a emoção não chegava nunca.

E quando O. é finalmente sequestrada, eu pensei: “agora vaaaaai” – Mas não foi. A história seguiu com o mesmo clima ameno do começo por umas 70 páginas ainda, não fazendo jus as indicações do New York Times e Chicago Suntimes, e aquele papo da sinopse de “alucinante montanha-russa de reviravoltas e negociações” foi alarme falso, pois não senti nada disso ao ver o desenrolar do sequestro...

Os roubos com máscaras – por volta da página 172 – foram interessantes e até certo ponto engraçadas, considerei está a primeira parte legal do livro. Depois deu uma leve murchada, para ficar interessante novamente lá pela p.210; a partir daí, a história ficou realmente boa... Não a ponto de ser “incrível” ou “alucinante”, mas ainda assim boa.

As páginas voaram depois deste ponto, pois a história ficou interessante. Eram bombas e tiros voando para todos os lados, realmente “cobra devorando cobra”, mas infelizmente o final foi muito corrido, quando eu estava finalmente aproveitando, “puft”, acabou!

Sem comentários, né!?

Para Selvagens, achei que faltou selvageria na história como um todo. Tiveram momentos intrigantemente selvagens, o personagem Lado é literalmente mal e selvagem, e Chon sabe fazer um belo de um estrago com uma arma na mão, mas faltou selvageria no restante da história para justificar o nome do livro...

Eu tentei ser imparcial quanto aos primeiros pontos negativos do livro para poder aproveitar a história, mas foi difícil, pois eles simplesmente foram se acumulando na minha cabeça e foram me deixando muito desgostosa com o livro... Frustrada, frustrada, frustrada com essa história. Escolhi o livro a dedo, troquei um Agatha Christie por Selvagens, e minha decepção não poderia ser maior.
Opinião Final: Não gostei da forma de escrever do autor. Demorou para abordar o que foi descrito pela sinopse e apesar das páginas finais terem sido agradáveis, achei que faltou “selvageria” na história como um todo... Talvez você goste, vai saber. Leia por sua conta e risco, pois eu não recomendo.
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