2 de set de 2016

Resenha - O Que Há de Estranho em Mim

SINOPSE
Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade.
Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão.
Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.
A bola da vez é "O que Há de Estranho em Mim", cuja capa tenta fazer uma menção ao isolamento da personagem, mas, apesar da ilustração ser até bonita, não achei que possui uma boa relação com o conteúdo, que é bastante jovial e pouco dramático.

Li este livro rapidamente, em 24h apenas. Ele conta a história de Brit, uma adolescente como qualquer outra, cheia de energia, as vezes irritadiça e com alguns lapsos rebeldes característicos de quem ainda tenta se firmar e encontrar seu lugar entre os adultos. Entretanto, para o pai e a madrasta, seu comportamento não é normal e já passou dos limites do comum... Temendo que a filha saísse do controle, o pai a envia para um internato, apesar de Brit desconfiar que há dedo da madrasta, "A Monstra", no acontecimento.

Poucos capítulos separam o início da história à internação, pois é a partir daqui que as coisas realmente começam a esquentar...
Nos primeiros capítulos, achei a personagem chata e irritadiça, mas aos poucos fui notando que não havia nada de errado com ela, era como muitos outros adolescentes de sua idade. Tendo isso em mente, me perguntei - ao mesmo tempo que a personagem - porquê ela havia sido trancafiada no internato Red Rock, mas a resposta disso, é claro, é a grande mensagem que o livro trás principalmente para o público adulto.

Red Rock não é um internato qualquer. Carregado de profissionais não qualificados para a tarefa e um sistema de terapias absurdas, a "escola" não tem nada a lhes oferecer além da agressão, tentando de uma forma hostil "domesticá-las" para enfim serem enviadas para casa "curadas". (Entenderam a ironia das aspas?). Os pais não sabiam o que se passava lá dentro e tampouco acreditavam no que as "filhas desajustadas" falavam sobre o lugar.

A partir disso, Brit precisa reunir forças para suportar as terapias da Red Rock, sem de fato participar daquele sistema cruel. Diferente do que a sinopse sugere, não achei que Brit se isolou, ela foi isolada devido ao seu comportamento; e também não achei que ela criou uma resistência àquele modo de vida hostil, muito pelo contrário, ela seguiu o sistema na medida do possível para tentar sobreviver ali. Realmente houve uma espécie de resistência, de grupo rebelde, mas não da forma como a sinopse sugere.

No geral, a construção dos personagens não é boa. Brit, assim como suas amigas, são repletas de estereótipos: a menina com tatuagem e piercing é a rebelde, a loira patricinha é a vagabunda, a lésbica não gosta de coisas de menininha e a gordinha está sempre com fome... Enfim, estereótipos! Os diálogos também não são muito elaborados e não gostei muito do uso de palavras boçais no texto, mas se conseguir deixar estas coisas de lado, conseguirá aproveitar a história, pois a escrita de Gayle é boa e a leitura flui muito bem.

O que Há de Estranho em Mim não é uma obra suuuper bem desenvolvida e estruturada, contudo, o que faz este livro ficar realmente interessante, é ler as notas da autora e descobrir que internatos abusivos assim realmente existem nos EUA (não são maioria, mas existem, segundo a autora). "O Que Há de Estranho em Mim" foi realmente inspirado em histórias reais, pois antes de ser autora de best sellers, Gayle trabalhava em uma revista e chegou a escrever uma matéria sobre reformatórios comportamentais, lugares rígidos, que apesar de receber jovens que realmente precisassem de tratamento, não tinham profissionais adequados para atendê-los... Saber disso deixa ou não deixa a história mais interessante? ^-^
Mensagem: Apesar de passar uma mensagem sobre a força da amizade e fazer uma crítica aos centros de reabilitação adolescente dos EUA, ao meu ver, a lição maior do livro é sobre a forma com que os adultos têm encarado a adolescência... É fato que esta é uma fase difícil, um momento em que o adolescente não tem idade para ser encarado como criança, mas também não tem idade suficiente para ser tratado ou levado a sério como um adulto. "O Que Há de Estranho em Mim" me fez pensar na forma com que os adultos em geral têm lidado com os adolescentes, será que estão escutando o que eles têm a dizer? Será que os estão ajudando a se encontrar e a se firmar na sociedade? Ou será que tudo o que fazem é logo tido como chilique, rebeldia ou afins? Nem todo mal comportamento adolescente é realmente um desvio comportamental digno de terapia (como abordado na história), contudo, há muitos casos que precisam de assistência psicológica, mas que não são percebidos pelo mundo adulto justamente pela falta de diálogo, de compreensão, de tentativa de entendimento...
Opinião Final: Muito bacana! Tem um vocabulário bem teen, mas li super rápido porque a trama é bem legal. O final poderia ter sido mais requintado, mas nada que desmereça a obra!
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