20 de jan de 2017

Resenha - Convergente

SINOPSE
A sociedade baseada em facções, na qual Tris Prior acreditara um dia, desmoronou – destruída pela violência e por disputas de poder, marcada pela perda e pela traição. Portanto, diante da chance de explorar o mundo além dos limites que ela conhecia, Tris não hesita. Talvez, assim, ela e Tobias possam ter uma vida simples e nova juntos, livre de mentiras complicadas, lealdades suspeitas e memórias dolorosas.
No entanto, a nova realidade de Tris torna-se ainda mais alarmante do que aquela deixada para trás. Antigas descobertas rapidamente perdem o sentido. Novas verdades explosivas transformam os corações daqueles que ela ama. Então, mais uma vez, Tris é obrigada a compreender as complexidades da natureza humana - e a si mesma -, enquanto convergem sobre ela escolhas impossíveis que exigem coragem, fidelidade, sacrifício e amor.
Narrado sob uma emocionante perspectiva dupla, Convergente conclui de maneira poderosa a série que alcançou o primeiro lugar na lista de bestsellers do New York Times, na qual Veronica Roth revela os segredos do mundo distópico que cativou milhões de leitores com Divergente e Insurgente.
Sendo o terceiro e último livro da trilogia Divergente, Convergente nos trás o tão esperado encerramento da história de Tris e Quatro,  final este, que estava empolgadíssima para conferir depois das emoções de Insurgente. A capa infelizmente não correspondeu ao meu ânimo, achei-a bem menos atraente que os livros anteriores (não sei se foram as cores escolhidas ou a ilustração, só sei que não gostei muito da arte), mas não me deixei abater e fui logo para a leitura.

Após a revelação da mensagem de Edith Prior, a sociedade baseada em facções desmorona e Tris descobre que há algo a mais do lado de fora de Chicago. A população fica dividida entre aqueles que apoiam Evelyn e seu novo governo tirano, e os que acreditam que a retomada das facções é a melhor escolha. Mas para algumas poucas pessoas, incluindo Tris e Quatro, retomar as vidas de antes é uma tarefa quase impossível, sabendo que existe algo além dos muros. E a partir disso, Tris e seus companheiros partem em busca do desconhecido, ultrapassando os limites de Chicago e ganhando um mundo novo, numa empreitada que trará revelações chocantes, capazes de desintegrar tudo o que eles achavam que sabiam e abrir o caminho para a verdadeira verdade.

Como desfecho para a distopia, Veronica Roth escolhe desconstruir tudo o que os leitores descobriram até Insurgente e mostrar que a realidade de sua história é ainda maior do que o esperado. Contudo, achei o livro muito enrolado. A "grande verdade" foi revelada e não contente com isso, a autora ficou repetindo-a por vários e vários capítulos ainda, fazendo diferentes personagens ruminarem a informação e sempre chegarem ao mesmo ponto (até porque, não tinha como chegar a uma conclusão diferente), e achei isso bastante chato. Os relatos sobre a divergência de Quatro foi uma sacada bem interessante, mas não justificou a demora do enredo avançar, quando obviamente o momento e o local onde os personagens estavam, não tinham nada a oferecer.

No geral, Convergente é um livro meio parado e tenho que ser franca, fiquei um pouco decepcionada, vim toda empolgada para este último volume da trilogia e no fim, não consegui sequer definir se gostei ou não dele. Li até o capítulo 15 por pura obrigação, pois até então a história não tinha me impressionado e a leitura estava monótona demais. A partir desse capítulo, as coisas começaram a melhorar, a leitura ficou mais fluída e minha opinião sobre o livro subiu para "bom", mas infelizmente a história terminou e minha impressão sobre o livro continuou sendo "bom".

A parte que mais gostei de todo o livro, foram os pontos de vista, que variavam entre Tris e Quatro. Achei super bacana conhecer a mente de Tobias, a forma com que ele encara toda a "grande verdade" e até mesmo o que faz quando está longe de Tris. Em certos momentos, achei a narrativa dele melhor do que a dela, principalmente no que se referia aos seus pais e conflitos internos, achei tudo muito legal.

Tris continua sendo uma pessoa determinada, apesar de pouco inclinada a perdoar, ela já entende o significado da palavra sacrifício e precisa fazer escolhas ainda mais difíceis e complexas do que em Insurgente. Caleb é corroído pelo remorso depois de seus atos na antiga sede da Erudição. Tobias continua fantástico, mas o romance entre os protagonistas deixa a desejar e como no livro anterior, acabou sendo um peso morto no enredo. E os demais personagens, bem, não mudaram muito com relação aos livros anteriores e por isso, não tenho muito o que comentar.

Sobre os finais dos personagens, não gostei do final da Tris, achei que ela merecia algo melhor ou pelo menos algo melhor descrito, já que ela era a protagonista. Também não curti o fim dado a Uriah, ele era o meu preferido, conquistando meu coração desde o primeiro livro e simplesmente não consegui aceitar o final atribuído a ele. O único encerramento que realmente gostei foi o de Peter, que pediu a Tobias uma "segunda chance" para poder deixar de ser mal, mostrando que malvados também podem querer melhorar.

Acho que não há mais o que acrescentar, a história não me trouxe tantas emoções como os livros 1 e 2, não teve o final épico que eu esperava, a emocionante "luta final" e, como mencionei antes, não consegui discernir se foi bom ou ruim. Mas acredito que será um bom entretenimento para os que começaram a trilogia e desejam seguir até o fim, assim como eu.
Mensagem: Não foi uma tarefa fácil retirar um tipo de mensagem deste livro, mas enquanto escrevia esta resenha, no exato ponto em que falei sobre o final de Peter, me veio minha mente o "Yin Yang" (significado AQUI)... Peter, o garoto mal que enfiou uma faca no olho de Edward em Divergente, que tentou matar Tris e que mudou para o lado da Jeanine em Insurgente, simplesmente decidiu mudar. Quando sua maldade chegou ao seu ponto extremo, surgiu dentro dele o sentimento oposto, a vontade de ser bom, o que resultou no seu final em Convergente. Achei isso legal, pois mostra que uma pessoa nunca é absolutamente boa ou absolutamente má (até porque, a Tris não é lá um poço de "bondade", ela sabe ser má quando quer), os bons têm tanta capacidade de tornarem-se maus, quanto os maus têm de tornarem-se bons. Nossas vidas não são caminhos únicos, onde nascemos, crescemos e morremos como "bom" ou "mau", são as escolhas que fazemos que nos tornam uma coisa ou outra, e mesmo que tomemos o pior trajeto, ainda assim há chance de mudar, de tomar o caminho contrário e encontrar o bem dentro de nosso mau.
E para os que se acham perfeitamente bons, lembrem-se que não dá para ser "absoluto" ou "perfeito", reconheça os seus defeitos (aquilo que te torna mal, seja: raiva, egoísmo, preconceito, etc.) e tente superá-los, e não reprimi-los. As facções, durante toda a trilogia tentaram reprimir algum tipo defeito, o que acabou trazendo uma falha piorada: a Audácia reprimiu o medo e tornou-se cruel, a Amizade sufocou a violência e tornou-se passiva demais, a Franqueza tentou dar fim a mentira e tornou-se uma insensível, e assim por diante. Reconhecer nosso lado mau (defeitos) é o primeiro passo para o autoconhecimento, e com este conhecimento, teremos uma real oportunidade de "superá-los", pois é muito mais fácil diminuir o seu defeito quando você sabe que ele está ali, do que quando tenta escondê-lo.
Opinião Final: Não foi o que eu esperava. Tive uma leitura meio monótona, que acabou me decepcionando um pouco, mas vale a pena ler para saber como a aventura de Tris e Quatro irá terminar. Recomendo com ressalvas! A trilogia no geral é boa, o primeiro livro é o melhor de todos, a qualidade cai um pouco no segundo e ainda mais no terceiro, mas acho que eu recomendaria a um amigo, sim.
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