18 de jan de 2017

Resenha - Extraordinário

SINOPSE
August (Auggie) Pullman nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular em Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum ele é um menino igual a todos os outros.
NUNCA JULGUE UM MENINO PELA CARA.
Escrito por RJ Palacio, Extraordinário nos trás a história de August Pullman, um garotinho que se considera bastante comum, mas que é dono de duas síndromes raras e congênitas, que lhe causaram uma grande deformidade facial, tornando-o um garoto "nada comum" aos olhos das outras pessoas.

Depois de realizar diversas cirurgias que o impediram de ir para a escola como um menino normal, August finalmente tem a chance de ingressar num colégio de verdade, para fazer o quinto ano. Entretanto, a realidade de sua deformidade facial trás insegurança não somente para ele, mas para toda a sua família, que teme represálias. A partir daí, acompanhamos o quinto ano de Auggie e todas as suas lutas diárias em busca de respeito, de novos amigos e de aceitação.

A escrita de RJ Palacio é ótima e a história, apesar de aparentar ser infantil, pode cativar e ensinar lições até mesmo ao mais velho dos adultos. Tratando sobre temas como bullying e preconceito com o que é diferente, o livro nos trás pontos de vista (PDV) de vários personagens, na seguinte sequência: August, Via (a irmã), Summer (a amiga), Jack (o amigo), Justin (o namorado de Via), August, Miranda (amiga de Via), e encerrando com o PDV de August. Confesso que gostei desse formato, pois me deu uma visão bem ampla de como as pessoas ao redor de Auggie se sentiam com relação a ele e toda a situação de sua síndrome.

August é um menino muito fofo e é impossível não se afeiçoar a ele. É muito bacana ver o quanto ele evolui no decorrer da história, no começo sendo tratado e superprotegido como um bebê e no final, deixando as coisas de criancinha para trás e agindo mais como um menino crescido. Achei isso muito legal. As vezes, os pais superprotegem demais os filhos deficientes e não os deixam viver suas próprias experiências, impedindo assim que eles cresçam e se tornem pessoas melhores e mais fortes. Na história, os pais de August mostraram receio, mas também bastante coragem ao deixá-lo estudar e encarar o mundo de frente, e considero isso uma lição importante para quem possui filhos deficientes (seja física ou mentalmente falando). É claro que tudo é mais fácil na teoria, mas acho que é algo que vale a pena refletir.

O livro também nos mostra o quanto as crianças podem ser malvadas quando querem. Há quem diga que criança não faz por mal, pois é apenas criança, mas isso não é verdade. Algumas crianças sabem ser malvadas quando querem, fazendo e dizendo coisas de caso pensado, para ferir, denegrir e ofender, e vemos muito disso em Extraordinário.

Minhas partes preferidas do livro foram os quotes. No início de cada PDV há um quote diferente, retirado de filmes ou de livros, que define a personalidade do personagem e a forma dele ver o mundo. Além disso, ainda há os "preceitos do Sr. Browne", o professor de história, que a cada mês escreve um novo preceito na lousa para os alunos copiarem e pensarem a respeito. E apesar dos preceitos do Sr. Browne não serem revelados em sua totalidade no enredo, é possível conferir todos os 12 preceitos no Apêndice, no final do livro, junto com preceitos criados por Auggie e seu coleguinhas. Achei isso muito legal e adorei todas as frases.

Soube de muitos leitores que se emocionaram ao ler Extraordinário, a ponto de chorar mesmo. Presenteei uma amiga minha com este livro durante a faculdade e ela me relatou que também se debulhou em lágrimas com a história. Bem, eu não derramei uma lágrima e não cheguei a me emocionar a este ponto, mas isso não quer dizer que não tenha gostado, o livro é muito tocante e totalmente digno de ser lido. Está super recomendado!
Mensagem: Apesar do enredo tratar sobre bullying, preconceito, maldade no âmbito infantil e eu ter aprendido algumas coisas sobre superproteção, confesso que meu maior aprendizado, minha maior reflexão, foi sobre os "olhares". Sabe aqueles olhares que damos para pessoas deficientes, as vezes movido só pela curiosidade de ver o diferente? Então, através dos olhos de August percebi o quanto esses olhares (mesmo que não sejam carregados de maldade) podem constranger e fazer uma pessoa diferente se sentir deslocada... Muitos dizem que pessoas deficientes são completamente normais, mas quando veem uma, ficam a examinar suas diferenças como se ela não pertencesse a este planeta. A curiosidade faz parte do ser humano, mas as vezes, os olhares excessivos dos ditos "humanos normais" podem constranger os que possuem algo fora do padrão. Cegueira, surdez, amputação, paralisia, má formação em alguma parte do corpo, síndrome de down, nada disso faz o deficiente deixar de ser humano, os torna apenas diferentes e todas as diferenças merecem ser respeitadas. Refleti muito sobre isso e percebi, através da história, que vale mais a pena ir conversar com a pessoa e matar a curiosidade sobre sua deficiência, do que ficar observando-a em excesso como se ela fosse um ET. Auggie não via problemas em falar de sua deformidade facial e explicava, o máximo que podia àqueles que tinham coragem de perguntar, mas incomodava-se muito com os olhares das pessoas, mesmo que não fossem olhares maus.
Opinião Final: Uma história muito bonita que merece ser lida e discutida por todos, independente da idade. Recomendo muito!
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