22 de fev de 2017

Resenha - O Guia do Mochileiro das Galáxias

SINOPSE 
Considerado um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica, O Guia do Mochileiro das Galáxias vem encantando gerações de leitores ao redor do mundo com seu humor afiado.
Este é o primeiro título dessa famosa série escrita por Douglas Adams, que conta as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect.
A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vive disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do Mochileiro das Galáxias, o melhor guia de viagens interplanetário.
Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da "alta cultura" e de diversas situações atuais. Seu livro, que trata em última instância da busca do sentido da vida, não só diverte como também faz pensar.
Escrita por Douglas Adams, este é volume um de uma trilogia de cinco, onde embarcamos numa aventura incrivelmente nosense pela galáxia. Ganhei todos os livros da série de um amigo, em 2014, mas confesso nunca ter tido vontade de lê-los porque, ao folheá-los, não gostei muito da escrita do autor.
Neste ano, decidi finalmente adicionar a série em minha meta de leitura e como já tinha ouvido muito falar da "genialidade" e do "humor afiado" dO Guia do Mochileiro das Galáxias, embarquei de cabeça na história de Arthur Dent e seu amigo Ford Prefect. E se você está mesmo interessado em saber o que eu achei, prepare-se, pegue uma toalha, coloque um peixe no ouvido e o mais importante, não entre em pânico!

A história dO Guia do Mochileiro das Galáxias se inicia no último dia de existência da Terra, que está prestes a ser "demolida". Arthur é o nosso personagem principal humano, cuja vida não é muito detalhada no livro, mas que, sem saber, tem como grande amigo um E.T. chamado Ford Prefect. 

Ford, por sua vez, é um alienígena que ficou preso em solo terrestre por 15 anos devido a uma nave quebrada, enquanto fazia uma pesquisa para atualizar um guia espacial que, coincidentemente, se chama "Guia do Mochileiro das Galáxias". Ele é o único que sabe que "o mundo vai acabar" e por gostar da amizade de Arthur, acaba-o salvando do pior, conduzindo-o numa viagem incrivelmente maluca pelo espaço como um mochileiro.

A história é bem fora do comum, sem partes dramáticas ou romances, mas carregada de ideias diferentes e interessantes. Percebi que o autor não se prende a ideia de que "todo acontecimento precisa ser lógico e devidamente explicável" numa história e por isso, sua obra é totalmente livre para ir para o caminho que quiser mesmo que ele não faça sentido, como quando contamos uma história para uma criança e inventamos mil e uma situações mirabolantes para os personagens, apenas para que os relatos fiquem mais interessantes. Analisando neste sentido, não considerei o nosense um ponto fraco, afinal, cada autor estrutura sua história da maneira que quiser.

A sinopse menciona um "humor afiado" do autor para determinados assuntos, mas achei que as piadas passaram bem longe de serem afiadas. Realmente é possível ver a chacota com a burocracia, os políticos e etc., mas não a ponto de serem consideradas piadas cortantes ou inteligentes, foi tudo muito bobo na verdade e não posso concordar com a sinopse neste quesito. 

O livro em si é muito divertido, mas o enredo é meio esquisito e mal trabalhado, o que deixou a leitura um pouco chata no meio da história. Achei que, apesar do enredo ser propositalmente maluco, certos acontecimentos poderiam ter sido melhor trabalhados, para que as cenas não ficassem excessivamente corridas. Não consegui conhecer direito os Vogons, ou o robô Marvin, ou os moradores de Magrathea, devido ao enredo acelerado, mas como a série está apenas começando, tenho esperanças de que eles sejam abordados nos próximos livros.

Em vários momentos, fiquei me perguntando para quem Douglas Adams estava escrevendo, quando criou este enredo. Embora a história seja divertida para qualquer idade, ela também é bastante ilógica, como nos desenhos infantis onde não é necessário ter uma explicação para tudo. Em contrapartida, a forma de escrever do autor parece mais adulta do que infantil, o que me deixou confusa sobre o tipo de público que ele queria atingir.

Douglas era ateu radical e militante (falecido em 2001), e até onde eu sei, colocou bastante de sua crença na história dO Mochileiro das Galáxias. Eu li e realmente percebi uma certa insinuação a respeito de Deus, mas não de forma ofensiva, foi uma demonstração sutil daquilo que o autor acreditava sem alfinetar ou agredir qualquer religioso que viesse a ler sua obra no futuro. Achei isso bem bacana, pois a exposição das opiniões do autor não mudam as minhas, e além de não me sentir ofendida, ainda pude aproveitar uma história super divertida, diferente do último livro da Trilogia Fronteiras do Universo, que era bem mais agressivo e parecia querer agredir propositalmente os leitores cristãos.

O final me agradou bastante, mas lamentei um pouco a demora para a leitura"empolgar". Somente depois da página 100 (de um total de 160) é que a história dá uma guinada boa, deixando o final beeeeem legal e atiçando minha curiosidade para conferir o próximo livro. Se fosse para ressaltar alguma parte que me chamou a atenção, do livro todo, destacaria a cena da baleia cachalote como a que mais me fez rir e a parte em que Arthur e Ford chegam a Magrathea, como a que me deixou mais presa a leitura.
Mensagem: A história me fez refletir a respeito de críticas. Douglas Adams satirizou certos acontecimentos do cotidiano humano, da política e da burocracia, na tentativa de criticar, de fazer os leitores repararem e pensarem a respeito e eu, particularmente falando, acho isso muito importante...
Li um esclarecimento interessante de um site sobre o assunto, que resumo tudo o que penso a respeito: "Uma crítica nada mais é do que a manifestação de uma pessoa sobre um fato, de modo que, é colocado um assunto em cima da mesa e cabe à pessoa refletir e fazer ponderações (positivas ou negativas) sobre o mesmo. Portanto, é uma maneira de crescer intelectualmente, quebrar paradigmas e mudar nossos pensamentos, fazendo com que nos tornemos pessoas melhores. Vivemos em um país democrático e somos livres para expressar nossas opiniões, independentemente do que a sociedade defende como sendo os “padrões imutáveis”. A discrepância nos faz crescer e evoluir, portanto, deve ser vista como algo positivo [...]".
Às vezes a critica é encarada como algo negativo, vexatório e humilhante, pois na maior parte dos casos é direcionada a particularidades de outras pessoas, entretanto, quando encaminhada para o rumo certo, pode colaborar positivamente para o crescimento do ser humano e da sociedade. Neste sentido, os livros possuem grande poder de criticar, de fazer os leitores pensarem seguirem o rumo certo da crítica, sobre os mais variados assuntos. Admiro autores que conseguem colocar boas críticas e ideais em suas histórias. Douglas Adams faz críticas rápidas e sutis em sua obra, mas ainda assim válidas, pois leva o leitor a refletir a respeito e as vezes até a se identificar com a situação.
Opinião Final: Leitura leve e legal. Dá para entreter e rir em alguns momentos. Apesar de não ser a melhor história que já li, é um livro leve e apropriado para um dia entediante.
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