Seja muito bem-vindo a mais um capítulo da nossa série de bastidores! Se no post anterior contei o que me motivou a sair da zona de conforto e começar a escrever, hoje quero mergulhar no desenvolvimento de "Leah", minha primeira fanfic.
Coincidência ou não, essa história celebra seu aniversário de 10 anos! Por isso, decidi transformar estes relatos em um verdadeiro especial comemorativo para relembrar como tudo começou.
O surgimento da ideia
Na Saga Crepúsculo, a matilha quileute e boa parte do público viam a Leah Clearwater apenas como uma pessoa amarga, chata e desnecessária. Mas ao ler os livros, o que vi foi uma jovem cuja vida foi despedaçada pelas lendas e tragédias da própria tribo. A autora deu a ela o pior desfecho de toda a saga e simplesmente seguiu em frente.
Depois de buscar em vão por uma história que colocasse a loba como protagonista, acendi a fagulha do "se ninguém fez, eu mesma faço".
Como era minha estreia na escrita, o objetivo inicial parecia simples: dar a Leah um final feliz e um romance digno no universo da saga; trazer à tona a mitologia dos Filhos da Lua (os lobisomens originais), um elemento citado superficialmente pela autora que abria margem para uma grande expansão de mundo.
Planejamento? O que é isso?
O resultado? Escrevi uma história de 39 capítulos e cerca de 70 mil palavras totalmente sem planejamento. Analisando friamente, fico impressionada pelo enredo fazer algum sentido, por não ter se perdido no meio do caminho. O desenvolvimento ficou super satisfatório e canon, sem absurdos ou ideias impossíveis de serem sustentadas, conduzindo para um final que me agradou bastante, uma nítida sorte de principiante.
Ouso dizer que a trama funcionou porque me conectei profundamente com a dor e as motivações da personagem, o que me indicou intuitivamente para onde a narrativa deveria ir. Fico feliz por ter dado certo, é claro. A fanfic "Leah" é a minha história mais popular e a queridinha dos leitores, mas não nego o fato de que sua construção foi um golpe de pura sorte.
Hoje em dia, com mais maturidade técnica, o planejamento é meu melhor amigo e eu jamais me arriscaria de novo em um projeto longo sem um mapa claro!
"Escrever uma história sem planejar é como viajar sem dinheiro, bagagem e documentos... Pode dar certo e você ter, ao final, uma aventura incrível para contar, mas a chance de dar m*rd@ é grande. Pense nisso."
(Instagram: @michelebran_)
Repercussão
Meu ritmo de escrita em 2012 era impaciente: eu finalizava o capítulo e o publicava no mesmo dia, sem ler duas vezes ou temer o bloqueio (algo que hoje considero um hábito bastante imprudente!).
Publicada originalmente no Nyah! Fanfiction (atual +Fiction) e divulgada apenas com um trailer simples, a fanfic explodiu em popularidade quase de imediato. A escassez de histórias focadas na Leah aliada ao tamanho do fandom fez a repercussão ser gigante.
Os leitores lotavam a caixa de comentários com teorias, reassistiam ao trailer em busca de pistas e enviavam mensagens de incentivo a cada capítulo. O ponto mais marcante foi ver leitores que admitiam odiar a personagem na obra original começarem a compreendê-la, amá-la e torcer pelo seu final feliz.
Acredito que a minha escrita inexperiente da época acabou criando uma ponte de simplicidade que se conectou direto com os leitores. "Leah" tornou-se minha história mais popular e a querida do público até hoje!
Continua...
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